A Lusitana gira o Mundo
“O Mundo gira, a Lusitana roda” e esse dizer de pouco sentido saudou todos os visitantes e migrantes que vinham do Nordeste para o Rio. Que a essa altura já vinham ansiosos pela chegada: ficava na entrada da avenida Brasil, a entroncar na rodovia que vinha do Norte, chamada na gíria de Rio-Bahia mas que tinha o código BR-116. (Como cultura inútil: o número 1 na frente significa uma estrada que corta o país no sentid
o da longitude. Se fosse 2 seria na horizontal). O Mundo e a Lusitana eram o sinal para começar a calçar os sapatos e ajeitar o cabelo após 48 horas de ônibus.
As novas gerações não sabem o que
era viajar dois dias ou um pouco mais em um ônibus que não arriava as cadeiras
e que tinha o sofisticado e enganoso nome de semileito – eq eu sorte delas que
não sabem. De Fortaleza partiam duas companhias, a Expresso Fortaleza e a
Cearense, se me recordo. Isso lá pelos anos setenta. Trezentos, oitocentos, mil
quilômetros e o Rio não chegava. Nos Mil ainda não estava sequer na metade. Não
chegava o Rio, mas passávamos o Rio São Francisco, ponte com uma ilha no meio e
meus doze anos. A aridez da caatinga nordestina suavemente dava lugar a plantações
de cacau.
E ao final, A Lusitana – na verdade
uma transportadora que se orgulhava de literalmente rodar o país inteiro. Marcava
o final de uma viagem que era mais complicada que hoje uma viagem para a
Europa.
Viagens do passado, que no
passado quedaram. Graças.


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