Cícero e o Papa Leão

E lá foi ele em transporte multimodal, incluindo jumento, cavalo, trem Maria-Fumaça e navio a vapor igualmente fumaça a enfrentar o enjoo marítimo e enfrentar, principalmente, aquele prediozão de mármore, museu a céu aberto, Michelângelo, Bernini e a alma do apóstolo Pedro para se defender diante dos sérios homens que ocupavam aquilo lá.

E foi assim que Cícero Romão Batista, padre desconhecido do desconhecido Brasil chegou à Basílica do Vaticano para se defender de acusação de heresia.

Curioso o Padre Cícero – seus adversários o acusaram de tudo menos de ter casos amorosos, por assim dizer. Mas pelas outras acusações teve ele de se defender.

Ficou uns três meses na Cidade Eterna e matou o tempo com o que chamaríamos hoje de turismo religioso: visitou catacumbas e igrejas. Não se sabe bem o resultado de seu processo mas se seus inimigos queriam liquidá-lo o tiro saiu pela culatra: para os sertões do Canindé ou do Pajeú Roma era mais distante que Marte é para nós hoje. O Padre Cícero voltou com um saco de medalhinhas bentas e milhares de cantadores espalharam pelo Nordeste versões as m


ais fantasiosas possíveis de um encontro com o Papa, que era Leão.

Ninguém sabe se o Padre Cícero se encontrou com Leão XIII, o que teriam conversado, e se o Padre lhe teria ofertado uma cachacinha, quiçá da Viçosa. Mas se sabe que Leão XIII viveu até os 93 anos. O que é um ponto a favor da versão de que teriam tomado um golinho, que, segundo alguns, tem bons efeitos na longevidade.

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