Arroios as Nações Unidas de Lisboa

 Não me falem de Alfama, Bairro Alto ou das vizinhanças de Belém com seus monumentos patrimônio da Humanidade, espetáculos de fado, as eternas filas de turistas e pastéis de nata superfaturados. Arroios é mesmo uma freguesia diferente entre as 24 de Lisboa. [OK, sou suspeito pois sou de lá]. Arroios não possui nada disso e nem o precisa, pois é talvez o único lugar que permite percorrer o mundo em poucos metros.

Saio de casa em quarteirão bem luso, com muitos reformados (aposentados). Dobro na Pascoal de Melo e se for em frente chego a um núcleo chinês, centrado por um restaurante de comida cantonesa. Pouco depois vem a livraria italiana. Se dobrar à direita na Almirante aí depende: do lado de lá vêm os mercadinhos dos indianos e seus temperos fortes. Do lado de cá, alguns quarteirões depois e há o sub-bairro dos turcos. Os serviços de reparo de telefones móveis são dominados pelos paquistaneses, as bancas de jornal pelo pessoal de Bangladesh. Tudo isso tem como eixo a mais tradicional das cervejarias da cidade, a Portugália, e na pontinha do bairro acontece a única concessão ao turismo de massa, a marisqueria do Ramiro, amada pelos visitantes estrangeiros.

Um jornal falou [não sem exagero] que no bairro se apertam quase cem nacionalidades. O que posso dizer é que certo documento público foi traduzido em 16 línguas. Quase uma ONU. Aliás seria uma boa ideia para um novo lugar para a Organização Internacional. Ao menos não faltariam restaurantes para todos os gostos.




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