A Praça Hosok e o Heroísmo mandatório

 Meus dedos procuravam um lugar chamado Praça Hosok. Procuravam nervosamente – percorriam o mapa do aplicativo e Budapeste pulava no quadradinho do Celular. Nunca me acostumei com esses mapinhas de bits – para mim talvez por saudosismo mapas são aqueles de papel, desdobrados em esquinas a detonar medo de batedores de carteira. 

De fato os mapas mesmo de bits se  superpõem e seu resultado é uma cidade. Cada cidade não é uma cidade só mas no mínimo o resultado de uma soma: o habitante e a cidade. E esse habitante é mais ainda mais consciente quanto essa habitação é rápida – ruas, placas e nomes a se sucederem em velocidade de VLT enquanto se tenta engendrar sentido a tudo aquilo – ou seja, quando o habitante é visitante.

Tomei uma linha do metrô e só sabia que ao lado dessa Praça Hosok ficava o Museu de Arte – lugar sempre fulcral em cada cidade pela minha geografia pessoal. Depois soube que a linha estreita e sacolejante era uma obra prima de Art-Deco [depois é que perceberia os azulejos abstrusos] e que Hosok significa herói. 

No meio da Praça – a Praça dos Heróis – se enfiava um obelisco ladeado por estátuas de nome impronunciável – o único que eu conhecia era Lajos Kossuth, herói da Insurreição húngara de 1848 e de nome tão impronunciável quanto os outros mas que ao menos eu conhecia. Interessante por que todos os países sentem necessidade de heróis. Por que tantos deles, tanto Hosoks pelo mundo?




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