Dois Brasis e o Ceará na Hungria
Meu primeiro encontro com a minha brasilidade em Budapeste ocorreu no Metrô. Eles pediam o bilhete de todo mundo e só tinha um cartão de cinco dias. Mas não precisei balbuciar nada – olharam-me como quem pensa “gringo” e me deixaram passar. Fiquei a pensar se o carimbo “estrangeiro” estaria marcado na testa.
O segundo encontro aconteceu quando fui o primeiro a entrar no Café New York, às 8 horas da madrugada. Tem fama de ser o mais luxuoso do mundo. Um pianista tocava algum tema húngaro. No preciso segundo em que me sentei à mesa mudou para uma Bossa Nova. Meu pensamento dessa vez foi se na testa estava anunciado “Brasil”.
Meu terceiro esbarro com as minhas origens aconteceu perto da praça Deak Ferenc Ter (“ter” é praça) em restaurante que em letreiros berrantes se anunciava orgulhosamente típico. Comida local em viagem é quase tão mandatória quanto aperto nos aviões e lá entrei. Procurei o mais típico do típico, mas aquela carne ensopada com verduras estava anunciada com o nome errado. Os húngaros chamam de Goulash. No velho Ceará se chama carne de Panela – esse é o nome certo, viram, húngaros?A propósito o rapaz do piano veio me perguntar se estava a gostar da música. Disse que sim e deixei-lhe boa gorjeta. Afinal ficar o dia todo a adivinhar a música local dos turistas deve ser bem aborrecido. Mesmo no tal Café mais luxuoso do mundo, o qual, reconheço, é mesmo uma beleza.
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