Lajos Kossuth nunca dançou Bossa Nova
O panorama se abria do Café na grande praça. Eu vinha da beirada do Danúbio, o Blauen Donau da velha valsa que não é azul coisíssima, vai mais para um cinza-esverdeado. Estava em Budapeste e já colecionara visões de estátuas: a de Peter Falk, ator estadunidense de contestada ascendência local; a de Gyula Andrássy, mais conhecido por ser apaixonado pela inevitável Sissi; e a do meio atulhado conjunto de estátuas encimado por Lajos Kossuth.
Eu observava esse conjunto, cappuccino e croissant na mesa e uma música que achei que reconheci, no som do Café. E reconheci mesmo: era João Gilberto, Bossa Nova, o Brasil a 10 mil quilômetros de distância. A suavidade da bossa-nova música dos de-bem-com-a-vida contrastava com a vida do homenageado.
Lajos Kossuth é o grande herói da Hungria, espécie de Tiradentes para a população local e como ele só conhecido em seu país. Sua vida [como de quase todo herói] pulou entre discursos e sangue. Encabeçou revolta contra os austríacos em 1848 que matou muito, morreu muito e acabou por premiar seu chefe com um exílio de décadas e brigas para firmar seu nome. Com mudanças, um Tiradentes fora do trópico. A morder o croissant, penso em como os países são parecidos.Termina a voz fraca e bamboleante do João Gilberto e penso no tal herói húngaro, prazer em conhece-lo agora, em como sua vida foi de sangue e discursos. E nunca dançou um sambinha bossanovista. Se o tivesse feito, teria talvez sido mais feliz. Ou não, vai saber.
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