O Demo respeita a língua húngara
Dizem que o Húngaro é a única língua que o Diabo respeita e quase disso tive certeza quando a moça do balcão de turismo do Aeroporto de Budapeste me informou que deveria pegar o ônibus 100 até um lugar chamado Deak Ferenc Ter.
Como se pronuncia isso - era o que pensava no fundo do ônibus com medo de as rodinhas da mala a levarem para longe enquanto como sempre em cidade estranha eu mordia os dedos a temer o que me esperava. As calçadas largas e a gente sem pressa me tranquilizaram rápido. Deak Ferenc Ter era uma praça. A partir dela os nomes em húngaro se sucediam. Deveria entrar em estação de metrô, pegar uma linha para a estação Nyugati Palyaudvar e de lá para meu destino, o bravo alojamento na Jokai Utca 24.
Húngaro, húngaro. Toda cidade tem várias geografias – talvez tantas geografias quanto seus habitantes, turistas e as dos mapas online e cada uma delas é real à sua moda. A minha geografia budapestiana se concretizava nos nomes. E aos poucos vi que aqueles nomes cheios de pontas tinham um sentido – e o sentido não era trazer estranheza a visitantes brasileiros. Ter é quadrado, ou praça. Deak Ferenc foi um político do século XIX. Praça Deak Ferenc. Nyugati é Oeste. Palyaudvar é estação. Estação do Oeste. Quanto ao senhor Jokai, trata-se de escritor nacionalista que presumivelmente viveu vida produtiva e preferencialmente feliz antes de ser imortalizado em rua. Ou Utca, às vezes abreviada para Ut. Rua Jokai. Chegara – e os nomes agora não me pareciam tão demoníacos..jpg)
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