O Muro das Línguas

 Um muro divide o Mundo, como um muro partia ao meio Berlim. Ele surge de qualquer lugar, digamos do Brasil, e passa entre os cursos de inglês de luxo e a calçada lá fora, separa as escolas bilíngues das outras e classifica até os empregos em melhores e piores. Esbarrei com um dos braços dessa muralha no centro de Budapeste, onde alguém plantou uma livraria com o prosaico nome de Bestsellers. 

A duas ou três esquinas da catedral de Santo Estêvão a livraria corresponde à promessa que os portais de turismo lhe dão: a de ter um setor de livros em inglês. O louro de óculos no balcão logo em frente parecia já esperar minha pergunta e me apontou com displicência o canto onde estavam os livros que uma pessoa-como-eu (leia-se turista) poderia se interessar. Todo o resto do acervo era em húngaro.

Em uma poltrona no tal canto pesquisei biografias, a maior parte de gente que não conhecia, ou de fascistinhas dos quais quero distância como o atual chefão do país. Saí com o óbvio: duas histórias gerais da Hungria e uma do país durante a Segunda Guerra Mundial, típica escolha de quem não conhece e quer conhecer onde está pisando.

Mas chamou-me a atenção: estrangeiros no tal canto, húngaros no resto. Se fosse no Brasil seria o mesmo. E em Bangkok, ou em qualquer lugar outro. Não tem jeito: o inglês, a língua de Henrique VIII (o cortador de cabeças como método de divórcio) e de Jack o Estripador conquistou o mundo. Também é a língua de Shakespeare, sejamos otimistas.




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