A Solidão do Cearense em Petrzalka
É difícil dizer por que me meti a ir à Eslováquia. Fui talvez levado por uma informação tão geográfica quanto inútil: de Viena a Bratislava é a menor distância entre duas capitais europeias. E eu estava em Viena.
Em uma hora de trem cheguei a Bratislava, ou ao menos assim pensava. Informação só aprendida depois do desastre, soube que a Capital fica do lado de lá do Danúbio. E o trem para do lado de cá, em lugar com excesso de consoantes chamado Petrzalka. Não havia wi-fi. As placas não tinham outra língua, nem mesmo as turísticas. Ninguém falava inglês. Até os jovens que procurava só sabiam balançar a cabeça e murmurar no engleesh.
Procurei taxistas. Rumorejaram sons que não entendi exceto um, algo como Adresse. Minha salvação: deve ser o address do inglês. Mostrei-lhes o celular com o endereço da Livraria Martinus, meu ponto de referência.
Fui, voltei, não entendi nada. Ou só uma coisa: não existe solidão maior que a do cearense em Petrzalka. Mas quem manda não falar eslovaco, não é mesmo.
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