A Solidão do Cearense em Petrzalka

 Filósofos dos mais diversos escarafuncharam a Solidão. De lúgubres perorações sobre a Contemplação do Absurdo da Vida até esperanças de uma vida eterna, de Nietzche a Santo Tomás todos enfrentaram a questão da Busca de Sentido e da Incomunicabilidade Essencial entre os Seres. Nunca, no entanto, jamais um se dispôs a enfrentar a mais dilacerante das solidões: aquela do cearense que se aperreia a visitar um país com uma língua eslava que ninguém, talvez nem mesmo os habitantes entendam.

É difícil dizer por que me meti a ir à Eslováquia. Fui talvez levado por uma informação tão geográfica quanto inútil: de Viena a Bratislava é a menor distância entre duas capitais europeias. E eu estava em Viena. 

Em uma hora de trem cheguei a Bratislava, ou ao menos assim pensava. Informação só aprendida depois do desastre, soube que a Capital fica do lado de lá do Danúbio. E o trem para do lado de cá, em lugar com excesso de consoantes chamado Petrzalka. Não havia wi-fi. As placas não tinham outra língua, nem mesmo as turísticas. Ninguém falava inglês. Até os jovens que procurava só sabiam balançar a cabeça e murmurar no engleesh.

Procurei taxistas. Rumorejaram sons que não entendi exceto um, algo como Adresse. Minha salvação: deve ser o address do inglês. Mostrei-lhes o celular com o endereço da Livraria Martinus, meu ponto de referência. 

Fui, voltei, não entendi nada. Ou só uma coisa: não existe solidão maior que a do cearense em Petrzalka. Mas quem manda não falar eslovaco, não é mesmo.




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