Alberto da Bélgica do Ceará

 Bruxelas [como se sabe] dista muito de Quixadá, Aquiraz ou Fortaleza. Malgrado isso, Alberto da Bélgica por duas vezes esteve com certeza em contato com cearenses, e a segunda, a modéstia não me impede de dizê-lo, foi muito mais tranquila. 

Topei com estátuas do Rei Alberto II Rei dos Belgas em quase que literalmente em todo lugar que fui. Nos subúrbios, no Centro da cidade, em cimento ou mármore, a cavalo ou a pé. E em nenhuma as minhas selfies foi moleque nem faltou com o respeito à realeza. Bem diferente da primeira vez que Alberto encontrou cearenses.

No ano de 1920 Sua Majestade visitou o Brasil. Figuras tão importantes não costumavam viajar na época e o Presidente do Brasil o paraibano Epitácio Pessoa e o país mesmo ficaram fascinados. Construíram o primeiro Hotel de luxo da país, o Copacabana Palace, para o Rei e sua Comitiva. Criaram a primeira Universidade do Brasil, no Rio, para dar a ele o título de Doutor Honoris Causa. E foi feito portentoso cortejo de carros abertos para recebê-lo, comandado pelo próprio Presidente Epitácio. O cortejo passou pela rua Paissandu, no Rio, a multidão nas calçadas ululando a gritar suas saudações ao Rei, todo mundo feliz. 

Até que o Carro Real passou em frente a dois aujeitos: Uuuuhhh! Fora com o Rei! Abaixo o Rei! Fora! Não queremos esse Rei!

Epitácio em outro carro se voltou a um assessor e disse: Aposto que esses dois são cearenses.

Eram.

Na minha fez fui contrito e disciplinado. Quem sabe assim ele acha os cearenses menos moleques.




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