Fantasmas de João Pessoa: João Pessoa
Confesso, sou contra cidades com nome de pessoas. Homenagens, como os usuários dos ônibus, são passageiras. Parece-me uma decisão emocional com consequências permanentes.
João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque
é talvez o homem mais homenageado do país. Um Busca CEP deu mais de mil ruas
com seu nome. Uma busca em avenidas deu quase quinhentas. No entanto o seu
currículo de advogado e depois magistrado na Justiça Militar sugere, mais que
brilho da inteligência, o resplendor de ter nascido com os parentes certos. Para
ser exato, com o seu tio Presidente da República Epitácio da Silva Pessoa, que
por sua vez refulgira ao ser sobrinho do Barão de Lucena mas aí já é outra
história.
A memória de João Pessoa não
teria passado de meia dúzia de ruas em seu estado – mas mudou isso quando
aceitou ser o Vice dos gaúchos que procuravam alguém do assim chamado Norte
para se opor aos paulistas. E mesmo isso não teria mudado muito, se não tivesse
sido assassinado em passeio quase suicida pelo Recife.
Que ficou. Paixões esmaecem mas
fica o nome, com sentido ou sem ele. Como toque de justiça pode-se pensar que
nem o homenageado gostaria disso, talvez.

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