Alvise que não foi de comboio

 E Dom Alvise Cadamosto o navegador veio dar com os costados nas costas de Portugal! Deixou as pizzas e canelones nos restaurantes perto da Ponte do Rialto da sua Veneza e, sem nenhum trocadilho infame, farejou as delícias e belezas do Faro, esta que é a capital informal do Sul da Terra Portuguesa. Não veio atrás das Tripas à moda do Porto (cá não há) e tampouco (ao contrário de mim) correu no comboio ferroviário Alfa Pendular desde o Centro de Lisboa.

Por tudo isso ao turistar no Faro surpreendi-me ao ver o seu nome a batizar uma placa com o nome de uma pequena ponte. Era a segunda vez que lia esse nome. Na primeira (meio século antes) o Professor Ludovico explicava a Mickey e Pateta que aquele tinha um ilustre antepassado chamado CadaMickey, e que esse era um prefixo comum em Veneza – e deu o tal Cadamosto como exemplo. Desnecessário dizer que essa erudita menção não me veio das obras de Alexandre Herculano ou Shakespeare mas de uma coletânea em fascículos chamada Enciclopédia Disney, que se compravam toda santa semana na banca de jornais e se colecionavam com cuidado até encaderná-las.

As caravelas hoje são peças de museu, o Faro e o Algarve em volta se encheram de moradores de verão ingleses, as Tripas não saíram do Porto, Mickey e Pateta moram na Disney e até as bancas de jornal se encontram à beira da inexistência. Mas essa placa de ponte, tão ao Sul, me trouxe algo de outra vida, de muito tempo atrás.




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