Apaixonado em Milão

 Innamorati a Milano – dizia um cantor chamado Memo Remigio em velha canzone  de 1965 e a capa do álbum um casal devidamente apaixonado em frente à catedral da cidade  italiana, o Duomo. A canção fala que mesmo com todo o congestionamento, confusão e anonimato da cidade grande, nas palavras da letra In questo posto impossibile Neste lugar impossível, o casalzinho se disse Ti amo. 

Até compreensível – Milão é a Metrópole da Itália – talvez dispute esse posto com a vizinha Turim. E não se fale de Roma – bem maior mas uma cidade de burocratas e turistas. De duas burocracias na verdade – a do Estado Italiano e a da Igreja Católica, que se espelha bem além do Vaticano.

Já Milão é a cidade da Moda – passei em frente ao Palácio do signore Giorgio Armani – e dos carros de luxo ao menos em parte – lá surgiu a Anonima Lombarda Fabbrica Automobile – pode pegar as iniciais e acrescentar o sobrenome de seu antigo dono Nicolo Romeo e se tem a Alfa Romeo. 

Nada disso é Innamorati – não é apaixonante, ao menos não como a praça da catedral, a Piazza del Duomo. A catedralzona surge de supetão, impacto de quem vem do subúrbio pela Viale Torino ou para quem sobe do Metrô. Impacto pensado – os Visconti senhores renascentistas da cidade planejavam unificar a Itália com a cidade como centro e uma catedral a rivalizar com a Notre Dame. O sonho, como se sabe, deu todo errado – não houve esse reino e a outra é mais famosa – mas a velha igreja enamora os turistas, apaixonados ou não.




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