Aperol, Cinzano, Campari e eu

 Ah, estender as pernas sob a mesa no Café dos japoneses na Piazza del Duomo, a praça da Catedral, a Milano, Bambina! E sentir-se como um Rei. Mais que isso – Napoleão, Júlio César e outros foram a Milão mas nenhum contemplou a Igrejona desde esse ângulo com a Via Mazzini e ao lado da banca de lembranças aos turistas – pelo fato de que pouco existia de tudo isso. Também não havia o Bar Aperol, disputado a filas eternas que se estendem pelos altos da Galeria Vittorio Emanuele.

Não sabia que cidades norte-italianas disputam a tapas a primazia de certas bebidas. Já conhecia o Cinzano e o Campari, mas não o Aperol, como sua cor forte, embora talvez não seja só isso que encha o bar mas também a visão da catedral logo ao lado. 

A mística das beberagens não para nessa praça. Pega o VLT 14 na direção de Lorenteggio e desce na vizinhança de Naviglio, a região boêmia em volta dos canais. Boêmia leia-se, etílica. Peço um aperitivo no bar mais popular, o Spritz, e me sinto apertado como sardinhas – por sinal, as ditas fazem parte do bufê de tira-gostos junto com ziríades de queijos italianos, presuntos, frutas secas e sei o que mais. Aperitivo nada mais é que uma dessas ilustres beberagens acompanhada do bufê, a preço único. A propósito, Campari é de Milão, Aperol de Pádua e Cinzano de Turim. Mas duvido que os gringos a falar alto no bar estejam preocupados com isso. Nem Napoleão ou Júlio César estariam, se aqui estivessem, e graças que não estão – segundo os livros, eles eram uns chatos.




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