Bom Waterloo para você!

 Napoleão invadiu a Bélgica e eu já estava lá. Napoleão queria chegar à capital Bruxelas e eu já estava lá. Bem, não exatamente lá, eu estava hospedado num subúrbio, mas estava. Quase nos encontramos em um lugar chamado Waterloo. Quase – ele veio em 1815 e eu uns duzentos e poucos anos depois, o casaco a pesar e eu a me perder no labirinto de trens e ônibus que nem o pessoal de lá entende.

Waterloo! Quem não ouviu falar? Eu também, mas por décadas não soube em que país ficava. Era só um nome – Waterloo. E tem sentido – o velho Napô em sua zilionésima guerra queria partir os exércitos inimigos e para isso queria tomar a capital estrangeira mais próxima. Só que no caminho havia três fazendas [a gente ainda as vê, de cima do morro] e uma planície ondulante. Fora a estrad
a com o posto de gasolina no qual desci ao sair do ônibus, mas essa não conta. Interessante que esse morro é artificial – foi construído no lugar em que o comando inglês ficou durante a batalha.

Lá de cima não vi o fantasma de Napoleão nem o de ninguém mas lembrei de uma história de Francisco Horta, antigo Juiz de Direto e Presidente do Fluminense. Ele estava em debate no rádio com um dirigente do Vaco da Gama, antes do jogo. Ao final, Francisco Horta disse: “Boa tarde, e que hoje o Vasco tenha o seu Waterloo.” O vascaíno olhou embasbacado, depois se iluminou num sorriso e disse “Muito obrigado! Um bom Waterloo para você também!”




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