Crêpes, onde está Suzette??

 Alberto, filho da Rainha Vitória, ficou 60 anos a esperar sua augusta mãe decidir-se a vagar o cargo. (Mais ou menos como o Rei Carlos de hoje).

Enquanto esperava, viajava. Em Paris [dizem] uma vendedora de flores lhe deu um buquê. Depois ele compareceu a recepção no hotel do hoteleiro Ritz, hoje nome de Rede, que criara um novo crepe para o convidado. Alberto perguntou o nome. Não havia. Então lembrou da vendedora: Suzette.

Muito depois eu cometera tal iguaria em meus arroubos culinários e queria ver o quão distante ficara do autêntico. Revirei Paris em busca do tal Suzette. Percorri a rue de la Harpe, o Boulevard Saint Germain, o Odeon, nada. 

Finalmente no Montmartre esbarrei com um sucedâneo. A receita exige entreoutros ingredientes um licor de laranja, tradicionalmente o Grand Marnier. Na creperia não havia o Crêpe Suzette mas havia o Crêpe Grand Marnier. Decepção. É só o disco do crêpe com um fio do licor. Depois provei noutros lugares, também era assim. 

O Suzette é demorado demais, talvez pensem os restaurantes, afinal é flambado. Ou caro. Em acordo tácito concordaram em sumi-lo em favor de produto pior. Pena. Bem, em vez de uns poucos aristocratas as cidades famosas estão atulhadas de turistas tipo eu, alguns a buscar velhas iguarias autênticas, e ninguém está mais disposto a criar receitas especiais para cada visitante. O tal príncipe talvez torcesse o nariz para tamanha decadência. E talvez até a jovem Suzette – tudo pode acontecer.




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