Desesperados Amores no Ônibus em Milão

 Dante amou desesperadamente Beatriz, Petrarca fez o mesmo em relação a Laura, e eu pensava em qual ônibus pegar para começar meu expediente de turista em Milão. Cruzei a Praça Nápoles e ali estava o ponto. 

O VLT 14 é um egotrip, daquelas que todo turista deveria ser obrigado a fazer: dividir espaço com os locais – o olhar vago ou grudado no celular de gente que faz o mesmo caminho duas vezes por dia e nele nada vê de mais. Para mim o percurso é uma descoberta. No ponto em que peguei o VLT havia barras horizontais de metal para as pessoas não caírem nos trilhos. Nelas vi pregados, em papel comum, bilhetes à caneta: Giorgio, 48, procura uma donna carinhosa, bem-humorada... Pietro, 59, quer uma mulher que queira ser feliz... Marcelo, 37, que gosta de viajar, procura... Piero, mecânico de carros, procura sua alma gêmea... Luigi... Umberto... Sempre com um número de celular ao final. Minha primeira reação: alguma mulher responde a isso?? Bem, pelo jeito sim, senão não seriam tantos os anúncios. 

Minutos depois desço do VLT em frente à Galeria Vittorio Emanuele, vou turistar e lembro dos bilhetinhos. Que doce. Que patético. Ou não. A busca pelo Amor. A luta pelo Amor. Como a Humanidade é parecida, no Mucuripe ou a Milano. Dante teve Beatriz, Petrarca teve Laura, para ficar só nos italianos. Os carinhas aí querem seus amores também. Acho que têm o direito. Talvez não procurem amores tão dramáticos quanto os dos imortais escritores, mas acho que esse é risco que terão de correr.




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