Em busca de Roger Casement, brasileiro-irlandês esquecido

 Procurei material sobre ele na lojinha do museu do GPO. Não havia livros nem pôsteres. Nem mesmo um chocolate, o que seria o cúmulo do mau gosto, mas vá. Encontrei um imã de geladeira.

Ao chegar a Dublin na Irlanda mergulhei em folhetos de turismo e neles aparecia a sigla GPO. Que diacho é GPO, pensei com meus botões brasileiros. Descobri: General Post Office, o Correio Central. Foi nesse prédio que os revolucionários irlandeses de 1916 resistiram ao assalto final das tropas britânicas no seu bem pouco prático Levante da Páscoa – pois começou em um Domingo da Ressurreição.

Os chefes da malfadada revolução ganharam nomes de ruas, praças, estátuas. Um deles no entanto permaneceu quase anônimo. 

Roger Casement, irlandês, era quase brasileiro – pelo menos assim podemos considerar alguém que morou por doze anos no Rio, em Santos e em Belém. Era cônsul de carreira pelo Império que colonizava o seu país – o Britânico. Menos conhecido era seu envolvimento com os revolucionários irlandeses. O que o levou a ser preso e enforcado pelos ingleses na esteira do Levante. 

Talvez se entenda por que seja pouco lembrado: durante as investigações descobriu-se que era homossexual – na época, com as consequências que se pode imaginar. Talvez até hoje essa injustiça perdure, haja vista o pouco que é homenageado.

O imã está hoje pregado na minha geladeira. Uma lembrança deste irlandês quase brasileiro que pagou preço alto pelo que acreditava.




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