Émile Verhaeren, quem diria, acabou na Pauliceia

 Tive outro – mais um, na verdade – encontro com Émile Verhaeren ontem nas páginas da Paulicéia Desvairada de Mário de Andrade que comprei em saldo de ponta de estoque na Bienal do Livro do Ceará. Não é a primeira vez que esbarro com citações e homenagens a esse poeta belga. 

Antes de viajar para Bélgica pesquisei para saber quais os grandes nomes da literatura belga. Só conhecia esse poeta e pensava que agora a situação sem dúvida havia mudado, pensava. Das páginas da Wikipedia me veio que o grande poeta – de fato o grande literato da Bélgica continuava a ser Émile Verhaeren.

Comprei um exemplar baratinho das Cidades Tentaculares – sua obra sobre os amo
res e horrores da cidade industrial – na Galeria Saint Hubert, bem no Centro de Bruxelas. Sentei-me em café próximo, pedi um Stoemp típico do país, que também cometo em casa, e compreendi por que o exemplar era barato - era livro escolar, como acontece com os poetas oficiais, por assim dizer. Bom livro. Os tentáculos da cidade na verdade são as fábricas, prédios e estradas que se espalham pelos campos. Era poeta sensível. Fiquei com pena que morreu tolamente empurrado pela multidão nos trilhos de um trem que chegava.

O garçom me trouxe a iguaria, por assim dizer, e interrompeu minha melancolia. É uma mistura de cenoura e batata, com temperos. Disse-lhe que era brasileiro que também fazia aquilo. Era bem simpático. Disse-me como faziam, e compreendi por que o Stoemp deles era mais cremoso – eles empurram manteiga. Assim até eu.




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