Leonardo nunca pegou o VLT 14

 

Leonardo [dizem] nunca tomou o 572, o ônibus Glória-Leblon que me conduzia em voltas pela Lagoa nos anos 80. Ou o Parangaba-Mucuripe (Grande Circular) que aproxima da praia o subúrbio. Compreensível pois nunca morou no Rio ou em Fortaleza. Mais italianamente falando, nem mesmo o VLT 14, do bairro de Lorenteggio até o Duomo, a praça da Catedral dessa Milão cheia de milaneses e turistas, no qual me espremo entre os milaneses (nessa banda da cidade pouco há de turistas) para adorar a Santa Ceia.

Consegui desenlatar-me do 14 [o pessoal a trabalhar no Centro, eu nem tanto] e me encaminhei para a Basilica di Santa Maria delle Grazie. Esperei minha janela de tempo: 8:30. Em todo museu nos obrigam a uma xaropada de percorrer corredores de obras secundárias antes de ver o que viemos ver. Aqui, alguém chama. Ficamos, os daquela hora, um par de minutos na beira de um pátio. Uma porta se abre e alguém nos conduz a uma sala, e fecha a porta. Olhando à direita, a Santa Ceia. Magnífica, surreal e um tanto desbotada pelo tempo e talvez pelas bobagens que já se disseram sobre ela. Fotos. Silêncio. Fala-se a sussurrar. Precisos 15 minutos depois outra porta se abre, e já estamos na loja do museu e na saída. Só. Surreal.

Não sei se Leonardo da Vinci apreciaria tal reverência a uma obra que, por mais maravilhosa, não é uma divindade em ai. Talvez preferisse voltar comigo no 14 para um informal spaghetti no restaurante dos napolitanos lá no bairro. Ou talvez não – eles são muito barulhentos.


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