Love you Lorenteggio
Milano foi macia comigo. Comprar o bilhete da Trenitalia ainda no salão de bagagens do aeroporto de Malpensa com a sorridente italiana do balcão, sair a dobrar não à direita para a única lanchonete mas à esquerda onde há a estação de trem após a ruela. Ao chegar na fila de táxis na estação Cadorna no centro orgulhosamente pronunciar a primeira frase em italiano na vida: Buon Giorno, Via dei Vespri Siciliani, 7, prossimo a Piazza Napoli, per favore, e o taxista entender – tudo me fez feliz. Innamorato a Milano, como diz uma velha canção.
Não sabia mas havia descido no coração de Lorenteggio – bairro desconhecido dos turistas apesar de ficar a uns vinte e poucos minutos pelo ônibus 50 do Centro. Em pouco acostumei-me – a macelleria (açougue) logo em frente; o mercadinho dos indianos na diagonal; o restaurante dos napolitanos ao dobrar a esquina. Aliás neste fui o único turista – e o dono a falar com decibéis elevados e gesticulação ampla com dois clientes sobre certo jogo do Milan me convenceram que aqueles italianos de filme não existem só em filme.
E todos os dias eu pegava o 51 ou o 85 – este um pouco melhor pois o ponto final é perto, pode-se ir sentado. Ou o VLT 14 – esse sempre cheio. Mercadinhos e parruchieri (cabeleireiros) deslizavam pela janela. Os milaneses bocejavam e arrumavam cadernos e smartphones, para escolas ou escritórios – e eu pensava como fronteiras têm pouco sentido – já que a vida no fundo é tão igual – mas eram pensamentos de turista.

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