Napoleão pelado
E no meio do pátio central da Pinacoteca di Brera assenta-se uma estátua. Se Canova era o dono das Artes na época, o Resto inteiro tinha outro dono, Napoleão Bonaparte. E este teve a (talvez infeliz) ideia de encomendar uma escultura da sua Augusta Pessoa ao Canova. Este tinha o senso inversamente proporcional ao talento: quis passar ao chefinho (Napoleão o era de todo Mundo) uma ideia de poder, força, determinação... e para tudo isso não encontrou ideia melhor que retratá-lo pelado – algo arriscado com o modelo baixinho e gordote que o Imperador era. O homenageado não gostou nem um pouco. Mas não enviou Canova à guilhotina.
É essa estátua bem pouco estética que contemplei, mal saído do ônibus 85. De resto o tal Canova era bem pouco prático: fez estátua de Pauline Bonaparte, irmã do dito cujo, em magnífico topless de mármore apenas coberta do umbigo para baixo por um manto, que hoje se encontra na Galeria Borghese. A irmãzinha, vaidade no alto e talvez sorriso no canto da boca, gostou. O Maninho detestou. Aliás Napoleão não parecia gostar de nada – exceto talvez de derrubar os inimigos, mas essa é outra história.


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