Obviamente, Londres
Só existe algo mais soturno que o prédio construído em 1891 com estrutura de ferro da Walter MacFarlane & Co. de Glasgow, Scotland, e construção e cálculo estrutural de O. Meara e de Sir Barclay Bruce para a Alfândega da República e que hoje serve de Centro Cultural da Caixa Econômica de Fortaleza: são cem ml prédios desse mesmo jeito. Isso é Londres.
Ou era. Aldgate East, Tower Hill, Leman street, Whitechapel, Charing Cross, Covent Garden, Piccadily – detrás dessa pletora de nomes se encontra uma cidade que em parte se rendeu a ser um pastiche de Nova Iorque, é certo, mas em parte não. Apertados entre os prédios ainda se vê muito da cidade vitoriana – e as paredes espessas, as janelas esparsas e revestimentos acinzentados, um depois do outro, prédio após prédio, me lembraram da velha Alfândega da minha cidade.
Não só os prédios. Pode-se fazer uma soma: prédios sóbrios, mais neblina invernal, mais poluição carbonífera (na época muito maior), mais as massas de gente anônima em casacos escurecidos a correr para o metrô – e a grande literatura dessa cidade obviamente só poderia ser policial. É lógico imaginar criminosos maníacos a emergir a qualquer momento das brumas e a submergir nelas. E é lógico imaginar um excêntrico detetive atrás dele. Sherlock Holmes e Hercule Poirot só poderiam ser de Londres.A propósito há um MacFarlane nas aventuras de Sherlock. Duvido que seja o plácido engenheiro que veio um dia dar com os costados nos coqueirais do Mucuripe, mas deve ser parente.
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