Paris e a missa
Henrique IV foi convidado para ser o Rei da França. Decididamente não o pior dos empregos. Mas havia um senão. Precisaria se converter ao catolicismo, protestante que era. Pensou bem, coçou a real barba e disse: Paris vale bem uma missa!
Não foi o que eu disse mas foi coisa parecida, embora uma expressão feia. Eu descera no aeroporto de Orly. Peguei a Linha 14 do metrô, novíssima, inaugurada na Olimpíada. De nada sabia de onde iria ficar: escolhi pelo hotel pelo preço. Afogueado pelas malas desci na estação Saint-Michel, ao lado do rio Sena, e arrastei-me até o Hotel na quina das ruas Harpe e Huchette. Joguei as malas no quarto e fiz o de sempre: sair para umas comprinhas iniciais. Ainda não havia levantado a cabeça na cidade, ocupado com as malas. Ao chegar à rua olhei em volta. E me veio: que cidade bonita do raio que o parta!
Decididamente não fui o primeiro estrangeiro a se deslumbrar por Paris. Meu vizinho Ernst Hemingway escreveu mais eloquentemente Paris é uma Festa! Meu vizinho: o hotel onde ele morou ficava X com o meu, e eu nos finais de tarde a devorar um crepe e um cappuccino no Café Paris Baguette ficava a olhar para ver se surgiria algo do grande escritor em alguma janela, sei lá. Mas só via o teatro onde passam as mesmas duas peças de Ionesco desde 1957, antes de chegar ao Jazz Club frequentado por Chet Baker. Andei tanto pela cidade que me veio dor no calcanhar, pela vez primeira na vida. Mas Paris vale. Vale até uma missa, como diria o tal Rei..jpg)
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