Rock me Amadeus

 Em 1985 invadiu as rádios de Viena a Fortaleza o refrão Rock me Amadeus repetido dezenas de vezes entremeado com uma batida pesada e um vocal descolado da melodia, em estilo rap avant-la-lettre. Quem tentava entender a letra não o conseguia– estava em alemão. 

O vozeirão que entoava o mega-hit Rock me Amadeus pertencia a um rapaz de 27 anos chamado Falco. A Áustria é o único país do mundo cuja grande música é erudita – Wolfgang Amadeus Mozart e a família Strauss á frente. É até estranho que tenha surgido um roqueiro no meio daqueles palácios vitorianos de alinhamento racional. Mas surgiu. Não teve vida feliz. Passou dos 27 anos de Kurt Cobain, Janis Joplin e Amy Whinehouse, mas não muito – morreu aos 41 anos longe de casa, na República Dominicana.

O espetáculo a que fui no Teatro Ronacher em Viena se chamava Rock me Amadeus e percorria a vida desse filho de mãe solteira que fazia rocks até o estrelato mundial e os inevitáveis conflitos com gravadoras e namoradas.

E tinha uma consciência incomum. No seu auge o agente veio lhe dizer que tinham conseguido: eram o primeiro lugar da parada estadunidense, uma das raríssimas músicas a consegui-lo sem ser em inglês. Falco ficou triste. O agente não entendeu, e o cantor explicou: “Você não entende? Já chegamos ao máximo. De agora em diante é só descer!...” Enfim, deixou seu recado no mundo e fez muita gente feliz a dançar, e de quebra homenageou o grande Mozart. Fui ao espetáculo no Teatro e deixei meu sorriso ao grande Falco.




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