Viena das alegrias da viúva

 Volksoper! – gritei a um rapaz que saía assim como eu da estação de Metrô. Ele apontou para uma estrutura arredondada à direita. Agradeci Danke! E para lá corri. Faltava um par de minutos para começar o Musical e eu temia que a decantada pontualidade alemã – ou austríaca, vá – me fechasse a porta do teatro na cara. Volksoper significa literalmente Ópera do Povo.

Viena teve sua porção de tristezas – guerras, preconceitos e as teorias de Freud que são tudo menos eufóricas. E de alegrias – e de tais alegrias Franz Lehar teve muita parte. Alegrias que começavam em Viena e se espalhavam por teatros de Paris e Milão e chegavam ao Rio, aquele Rio da belle époque, da Avenida Central e da Confeitaria Colombo até hoje resistente. 

Em 1905 esse compositor austríaco inventou uma história [maluca, como toda boa comédia] de uma viúva enriquecida que se mudara para Paris. O governo de seu pequeno país, temeroso que ela se casasse com um francês e levasse toda sua fortuna para o exterior, encarrega um conhecido bon vivant, o Conde Danilo, para conquista-la e assim manter a fortuna onde estava. Esse é o enredo de A Viúva Alagre [die lustige Witwe].

Nada mais próximo do Brasil, apesar das aparências. Arthur Azevedo, irmão de Aloísio autor de O Cortiço, traduziu-a para português logo depois. Senti-me em casa. Principalmente quando o espetáculo atrasou minutos preciosos para que eu não o perdesse. Não se faz mais pontualidade germânica como antigamente. Ou nunca se fez, vá saber.




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