Brasil sem Peso nem Régua no rio Douro
Por duas vezes pensei estar na Borda do Mundo, audaciosamente onde nenhum homem [ou, com menor pretensão, nenhum brasileiro jamais esteve] para fazer uma paródia à abertura de Jornada nas Estrelas]. A segunda foi em Dublin, na Irlanda. A primeira vez começou quando aos bocejos tomei o autocarro na brava estação da Campanhã cedinho no Porto, bordejei o rio e entrei em um barco de excursão pelo rio Douro.
Imaginava-me em espreguiçadeira no
convés ensolarado a espiar (não sem culpa na consciência) a labuta alheia. Um vizinho
meu foi vinhateiro. Disse que o serviço de colher uvas com um cesto às costas é
tão pesado que ele preferiu vir a Lisboa ser mecânico de automóveis [aqueles automóveis
dos anos 70...]
Uma chuva desbaratou meus planos.
Não houve espreguiçadeira. Chegamos a um lugar de cuja existência não desconfiava
com o nome de Peso da Régua.
Vagueei pela cidade. Sentia-me na
borda do mundo, livre de tudo, longe de todos, não, aqui ninguém sabe que o
Ceará existe. Entrei em café.
Pelo sotaque a dona entendeu de onde
eu era. Bem, ela era do Brasil também. Ela e o marido português moraram muito
tempo em Luziânia, Goiás, que só conheço de nome. E agora estavam naquela
cidade que eu achava que havia descoberto.
Tomei o café, comi o pastel de
nata e fui. Um pouquinho frustrado. Eu me achava no fundo do mundo desconhecido
e profundo e lá estava o Brasil de novo. Dizem que viajar é conhecer o
não-familiar. Ultimamente é um pouco difícil. Com ou sem peso e régua.
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