Das coisas escondidas em busca de Santos Dumont
“O que o senhor está lendo?” - esse senhor soava como “siô” e eu tive vergonha do abismo social que me fazia ter a oportunidade de ler um livro que aquele senhor jamais teria. Em nossa volta as montanhas de Minas.
Eu buscava o lugar de nascimento
de Santos Dumont. Descobri-o na cidade que hoje de maneira banal ganhou o nome
do inventor – devia ter continuado o nome antigo, Palmira. A criança Alberto
viveu ali só seis anos – suficientes para fazer os primeiros desenhos.
Na praça central perguntei sobre
um ônibus para a casa natal de SD. Tomei-o. Cheio. Parou em uma fábrica de cimento.
E lá todos saíram. Eram trabalhadores. Era o único passeante. Perguntei como ir
à casa do homem. E disseram que na estrada passava outro ônibus para lá. Sentei-me
no meio fio. Saquei meu livro.
Resumi o livro o melhor que pude.
E na minha cabeça me veio, por que eu tive a oportunidade, o tempo, a
tranquilidade, de ler em francês um livro como esse, e esse senhor não? Por que
tal diferença entre os humanos? Isso enquanto eu explicava a teoria do início
das sociedades humanas. Ele sorria. Tentava entender. Chegou o ônibus. Fui para
meu turismo dumontiano e ele para seu trabalho.
Tanta coisa. Tanto mistério no
mundo. E se nem gênios como o Pai da Aviação conseguiram resolver os problemas
dos humanos, muito menos eu.


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