Eugênio, Veneza e Brasil
De queixo na mão a contemplar o Pôr do Sol em Veneza, Eugênio pensava no Brasil. Talvez não para si: para a filha. Ou talvez não pensasse. Monsieur Eugênio Rosa de Beauharnais como todo filho de pai dominador tinha sua pobre cabeça ocupada.
Seu Pai não era seu pai: era o
marido de sua mãe. E sua família de origem não era poderosa – se tornara tal quando
sua mãe decidiu sabe-se lá por que atrelar seu destino a um oficialzinho francês
chato, sério e, pior que tudo, baixinho. E assim Napoleão e Josefina se casaram
e o filho desta, Eugênio, de João-Ninguém se tornou um Eugênio-Ninguém - só que
com um padrasto poderoso.
O padrastão invadiu a Itália, reuniu
parte do país em novo Reino da Itália e dois segundos de profunda
meditação o levaram a concluir que a coroa de rei assentaria melhor em Sua Augusta
Cabeça. Só que nem mesmo ele tinha o dom da ubiquidade – autodeclarado que fora
Imperador da França. Precisava de alguém para esquentar o real trono italiano quando
ele estivesse longe. E assim seu enteado Eugênio, como o Vasco, se tornou eterno
vice.
A menção a futebol e ao Brasil não
foi gratuita: Sua Vice-real Majestade gerou uma filha, Amélia – e ela depois se
casou com um tal de Imperador Pedro I, tornou-se segunda Imperatriz do Brasil e
mudou-se para o Rio – antes que o campeonato carioca viesse a existir. O avô-padrasto,
como se sabe, foi veranear em Santa Helena. Quanto ao papi Eugênio, nunca
molhou os pés nas areias de Ipanema. Mas talvez sonhasse com isso, quem sabe.


Comentários
Postar um comentário