Fernando Maurício conhecia a Alfama
Lisboa é Fado, Fado é Alfama e
Alfama é Amália Rodrigues – isso dizem as agências de turismo e as agências de
turismo como sempre estão erradas. Não erradas, distorcidas. Não distorcidas,
simplificadas. É certo dizer que Amália foi a fadista mais popular no exterior
e nome conhecidíssimo no Brasil dos anos 50 e 60. É certo que a Alfama é o
grande bairro boêmio de Portugal. Mas é errado dizer que Alfama era o país dela.
Amália era na verdade de Alcântara, bairro portuário ao norte. O grande fadista
de Alfama se chamava Fernando Maurício.
Escreveu um dos mais belos fados
de nome mal escolhido, “Na Igreja da Santo Estêvão”. Pensei que fosse uma canção
religiosa. Nada disso. Na velha Alfama de meio século atrás Fernando Maurício
cantava a velha Alfama de meio século antes – uma saudade da saudade que encarna
o espírito do Fado. E canta que era ao lado da tal igreja que os fadistas se
encontravam para noitadas nada religiosas.
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