Garibaldi, heróis de muitos mundos



E lá está ele, em estátua, equestre, a metros do solo como a apontar a Eternidade. Está aqui em Milão, no Rio Grande do Sul, Argentina, Uruguai, França, Estados Unidos, Portugal, seria difícil apontar um país do mundo que não o monumentalize. E mesmo quem não fez estátuas, difícil um em que não tenha fãs.

Giuseppe Garibaldi em vida já era um monumento a si mesmo: louro, olhos azuis, cabelos ao vento, em seu cavalo e com a inevitável camisa vermelha, esse italiano nascido na França tornado brasileiro, uruguaio e argentino utilizava com antecipação os recursos do marketing pessoal. Artesãos faziam pesos de papéis com sua silhueta e gente desde Lincoln até Engels engrossava seu fã-clube, sem falar em Alexandre Dumas (pai) que o entrevistou e escreveu-lhe a biografia. E meu professor de história Ernando no Colégio Santo Inácio me falou daquele aventureiro que nada tinha a ver conosco e se meteu no Brasil.

Agora vejo seu monumento na praça Cairoli em Milão e tiro as inevitáveis selfies. Os VLTs passam e há uma manifestação contra alguma guerra (esse é o lugar premium de Milão para manifestações). Difícil não gostar desse malucão, tão idealista quanto sortudo (uma bala podia ter-lhe colhido muito cedo). Garibaldi, como já alguém disse, lembra um tempo em que o nacionalismo era abrangente e o mesmo patriota italiano estava disposto a arriscar o pescoço nas lutas de outros povos pela liberdade. Bos tempos, alguém diria, mas não eu, pois desconfio das idealizações do passado. Mas enfim.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Arroios as Nações Unidas de Lisboa

A Lusitana gira o Mundo

Cícero e o Papa Leão