Heróis de Arroios
Era outubro de 1910 o rei fora assassinado, o sucessor não se acertava e grupos achavam que uma república seria a solução. Um desses revolucionários era do bairro. O Almirante Reis morreu no seu momento de maior glória – ele planejou o golpe, começou-o e, altas madrugadas, as notícias eram que tudo dera errado. Desesperado ele foi um beco (hoje sem indicação nenhuma, perto da atual Igreja Ucraniana, atrás do Hospital) e se matou. Quintessência da tragédia – o golpe dera certo. Horas depois a maré virara – tarde demais para o Almirante.
A política também fez a fama do outro herói da freg
uesia, na verdade uma heroína. A engenheira Maria de Lourdes Pintassilgo foi primeira-ministra por cinco meses, em 1980. (Lembro de um quadro em um quadro de humor na TV: Sandra Passarinho era uma jornalista brasileira em Lisboa. O programa colocou barulho de pássaros a cantar e depois disse “Acabamos de ouvir Sandra Passarinho entrevistando Maria de Lourdes Pintassilgo!”) Depois dela nunca mais outra mulher chegou lá.
Escarafunchei mais celebridades em livros e portais e até perguntei a habitantes, não adianta. Arroios é parco de heróis. Resta o heroísmo do dia a dia, enfrentado pelos habitantes de muitas origens que se apertam nesse canto da capital lusa.
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