Jacobinos Bad Boys
Os Jacobinos foram os Bad Boys do Revolução Francesa. E aquela esquina do Boulevard Saint-Michel onde eu placidamente tomava meu cappuccino em noite fria em Paris era bem conhecido deles: era só dobrar à direita e chegariam à conciergerie, a prisão onde eles socaram Maria Antonieta.
Os jacobinos hoje chegariam em
moto: rolê de centenas combinado pelo whatsapp antes que a polícia do Luís XVI
pudesse fazer alguma coisa, cara de mau a desdenhar dos girondinos que acompanhariam
ao longe a ver no que daria aquilo (tipo Lafayette e Mirabeau), seguidos pelos
olhares apaixonados de garotas na calçada. Maximilien de Robespierre viria à frente
numa Harley Davidson Road Glide e luvas de couro e metal, Georges Danton
com sua gata Emo com tatuagem de guilhotina no pescoço na garupa [gatas, Danton
as tinha muitas], Jean-Paul Marat com sete piercings na orelha, Camille Demoulins
a desmontar com um inevitável blusão negro e aquela cara de
não-ligo-para-ninguém-muito-menos-para-mim e Antoine de Saint-Just com uma JBL
ligada no último volume pelo bluetooth ao Playlist do Black Sabbath no
Smartphone.
Hoje eles assustariam, como
assustaram na época. Fazendo barulho [a quebrar tudo, às vezes até a si mesmos]
a se revoltar e mandar ver. Esses eram os Bad Boys do tempo, também chamados de
jacobinos. Vieram, fizeram das suas e passaram, no Tempo, na História e naquela
Plácida esquina onde eu tomava meu cappuccino em noite fria em Paris.
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