Lisboa, doçura às 3 da manhã

Há coisas que só acontecem em Lisboa! (Na verdade, isso é a corruptela não-futebolística de um ditado que dizia “Há coisas que só acontecem no Botafogo!”) Mas é verdade.

Eu voltava de outros lugares na cidade. De fato, o meu bairro dos Arroios é o melhor lugar de Lisboa para se voltar à noite – o que significa que não é o melhor para se passar o dia. Na Liberdade há a Cinemateca Portuguesa e suas sessões tardias. Em Belém se acumulam os monumentos Patrimônio da Humanidade e as eternas filas de turistas. Nos Arroios tudo está fechado pouco depois das 8 da noite. É lugar de sono.

Exceto por uma porta, pela qual passava na saída do metro, depois do Hospital e da austera estátua de Fernando de Magalhães, presente do Governo do Chile, havia sempre uns homens em uma porta. Voltava ás 22 hs, lá estavam eles. Às 22:30, havia outros.

Notei que pela porta se descia para um porão. Pensei que era uma boate. De excelente isolamento acústico, para não ouvir nada. E todas as noites era assim.

Veio a explicação. Aquele lugar é uma fábrica de doces. Há muitas em Lisboa e no mundo, mas aquela é a única que abre lá pelas 20 hs e fecha pelas 7 da manhã. Se alguém tiver desejos desesperados por pastéis de nata ou bolas de Berlim às 3 da manhã, aquele é o lugar (em todo o resto do mundo o desejador teria de conter seu desespero até ás 8 hs, pelo menos). Não em Lisboa.

Há coisas que só acontecem em Lisboa. Alguém poderia dizer que há coisas mais importantes. Mas não: a doçura, ela nunca é supérflua.

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