Lisboa, doçura às 3 da manhã
Há coisas que só acontecem em Lisboa! (Na verdade, isso é a corruptela não-futebolística de um ditado que dizia “Há coisas que só acontecem no Botafogo!”) Mas é verdade.
Eu voltava de outros lugares na
cidade. De fato, o meu bairro dos Arroios é o melhor lugar de Lisboa para se
voltar à noite – o que significa que não é o melhor para se passar o dia. Na Liberdade
há a Cinemateca Portuguesa e suas sessões tardias. Em Belém se acumulam os monumentos
Patrimônio da Humanidade e as eternas filas de turistas. Nos Arroios tudo está
fechado pouco depois das 8 da noite. É lugar de sono.
Notei que pela porta se descia
para um porão. Pensei que era uma boate. De excelente isolamento acústico, para
não ouvir nada. E todas as noites era assim.
Veio a explicação. Aquele lugar é
uma fábrica de doces. Há muitas em Lisboa e no mundo, mas aquela é a única que
abre lá pelas 20 hs e fecha pelas 7 da manhã. Se alguém tiver desejos desesperados
por pastéis de nata ou bolas de Berlim às 3 da manhã, aquele é o lugar (em todo
o resto do mundo o desejador teria de conter seu desespero até ás 8 hs, pelo menos).
Não em Lisboa.
Há coisas que só acontecem em
Lisboa. Alguém poderia dizer que há coisas mais importantes. Mas não: a doçura,
ela nunca é supérflua.
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