Na Bolívia conheci Copacabana

 Eu não conhecia Copacabana. Vivi muito tempo no Rio mas não conhecia Copacabana. Morei no Flamengo, estudei no Botafogo, trabalhei no Humaitá mas não conhecia Copacabana. Bem, é claro que falo de outra. Desta outra, só soube que existia quando tomei um ônibus da Bolívia para o Peru.

Nossa Senhora de Aparecida é padroeira do Brasil, Nossa Senhora de Copacabana é padroeira de Bolívia. Como a nossa, a deles é o nome de uma cidade. A nossa é filhote da deles. Um barco vindo do Peru no Século XVIII trouxe uma réplica daquela Nossa Senhora para certo bairro no Rio e o resto é história.

Fica em um pequeno alto na beira do lago Titicaca. Há um santuário singelo, branco, com uma praça em frente. Peguei a bolsa e desci, achei hotelzinho na rua. Depois continuei o caminho. Lago grande, não se vê a margem mais distante, quase mar. Do outro lado, o Peru. Do lado direito um quartel do 4º Distrito Naval da Marinha da Bolívia. Eterna frustração por não ter mar. Do outro a praia, deserta a perder de vista. Instinto aventureiro e 25 anos, lá fui. Praia sem areia, só pedrinhas redondas, belas. Andei uns quilômetros e tirei os sapatos e entrei na água.

Na volta todo esse cuidado foi inútil. Quase na cidade um cachorro avançou para cima de mim. Sem saída me joguei na água. Um sujeito gritou que ele só latia, não mordia. Vá confiar. Encharquei os sapatos e os jeans mas não tive de tomar antirrábica. Sorte. Ou um milagre da Virgem de Copacabana, a nossa e a deles, vá saber.

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