No Peru fui Barbosa
Nunca utilizei muito meu penúltimo sobrenome. Não gosto dele. Pouco tem a ver com a história da família e além disso não gosto mesmo. Assim como não gosto do último, que não significa nada. Quantos Silvas ou Paulos Silvas haverá nesse país? Utilizo meu segundo nome, Avelino, mas é outra história.
Tomei o trem de Cuzco até Machu
Picchu. Era como uma jornada ao princípio dos tempos, com perdão do drama. O trem
carregado de turistas serpenteava pela beira do rio Urubamba. Este é um dos candidatos
a nascente do Amazonas. Muita selva e muita corredeira. Rio selvagem. Eu no
vagão pensava que alguém não duraria meia dúzia de segundos se caísse ali. Em
torno do rio verdadeiros dentes de pedra de centenas de metros se erguiam. Sobre
um deles havia a Cidade Perdida dos Incas, Machu Picchu.
Trem parou. Precisávamos fazer um
transbordo para um pequeno ônibus para subir o morro de pedra. Um guia chamava
pessoa após pessoa. Só que meu nome não chegava. Eu já me preocupava. Fora esquecido?
Houvera algum engano? E não chegava. Só chamavam um certo Señor Barbosa. E eu
continuava a esperar. Lá vinha o Señor Barbosa de novo. E mais outra vez. Veio-me
a ideia.
Mas ele tinha razão. Na América
Hispânica faça como os hispânicos, alguém deve ter dito. E eles usam o penúltimo
sobrenome para identificar a pessoa. E eu afinal era Barbosa e o fui pela única
vez. A gostar ou não.

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