O mais famoso dos cajueiros
Conhece o cajueiro mais famoso do mundo? – Sim, disse eu, perto de Natal. “Não, aquele é o maior cajueiro do mundo. O mais famoso é aqui!”
Eu passeava as ruas de Parnaíba,
Piauí, com o professor Lauro Campos, antigo prefeito da cidade. Eu me hospedara
na vizinha e praiana cidade de Luiz Correa e perguntara a um agente de turismo
se havia alguém que masse a cidade. E ele me apresentou àquele intelectual e historiador.
O “mais famoso cajueiro” me trouxe
à mente um nome de que mal me lembrava, de que os brasileiros leitores mal
lembram.
Humberto de Campos nasceu por
aquela terra, limite entre Maranhão e Piauí. Encarnação dos ditados sobre a
volubilidade do mundo, nas primeiras décadas do século XX foi autor best-seller,
deputado, membro da Academia Brasileira de Letras e editor de revistas que
vendiam horrores.
E agora restava um visitante
acompanhado por um historiador local ao lado de um cajueiro em terreno limpo mas
sem graça nenhuma, ao lado de um colégio. Aquele cajueiro era o grande amigo de
infância de Humberto, segundo ele mesmo. Ao partir para “enfrentar o mundo” o
futuro escritor o abraçou.
Certa vez perguntaram para Carlos
Drummond de Andrade se ele achava que sua literatura era imortal. CDA respondeu
que no tempo em que veio ao Rio o grande autor era Humberto de Campos. Portanto
a Glória seria passageira.
Eu responderia a Humberto de
Campos: a Glória pode ser passageira, meu caro, mas os cajueiros são para sempre.
Descia o sol sobre o rio Parnaíba.
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