Pedro, de Gand ao Brasil


Procurei Pedro de Magalhães em Gand e é claro que não o encontrei, primeiro porque perambulava pela Europa havia meses e meus calcanhares mal cabiam nos tênis, de tão inchados.

Pedro era de lá. Ou quase. Nasceu em Braga, Portugal, mas seus pais eram da cidade de Gand atulhada de turistas na qual devoro um filé com batata e cenoura. Daí veio seu nome histórico, Pedro ou (Pero) de Magalhães Gândavo, sendo que esse último não um sobrenome mas uma alusão.

A segunda razão por que não o encontrei era cronológica: o Gândavo nasceu talvez em 1540, de qualquer forma alguns séculos antes de eu lá chegar.

Veio a dar com os constados no Brasil e por falar em costados ou costas ele as tinha quentes: Foi uma das poucas pessoas que, ao publicar sua obra, conseguiu que a prefaciasse um certo Luís. Luís Vaz. De Camões.

O Gândavo não quis fazer literatura mas propaganda: objetivava atrair migrantes e conseguiu o acordo do Ofício da Santa Inquisição em Évora para a publicação de sua “História da Província Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil”, o primeiro livro a fazer algo como uma análise da terra.

Peço a conta e olho o Belfry, a torre da prefeitura medieval, e não sei se Pedro chegou a vê-lo. Se voltasse não sei se gostaria do turbilhão de turistas a engolir waffles enquanto se espreme para livrar os trilhos do VLT ou se preferiria estar nas então desertas praias de Pernambuco. Talvez até gostasse desse aperto turístico em que estou, quem sabe – as pessoas são estranhas.

 

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