Um livro me revela a Bolívia
Estava em La Paz, Bolívia, cheio de frio e temor do Soroche, o mal das alturas, e aquela obra mal editada e capa de desenho amadorístico me chamou a atenção. Entrara em livraria com o curioso nome de Los Amigos del Libro e lá estava o livro do qual nunca ouvira falar chamado Repete, de um autor para mim igualmente anônimo chamado Jesus Lara. Nem sei por que o comprei.
A Guerra do Chaco (1932-1935) pôs
em confronto dois dos países mais miseráveis da América, Paraguai e Bolívia, pela
posse de região mais miserável ainda chamada Chaco Boreal. Essa guerra chamou Jesus
Lara, boliviano, para o seu destino. Uma guerra que hoje poucos lembram que existiu,
mesmo nos países envolvidos, mas que não pareceu insignificante assim a suas
vítimas. São suas memórias do conflito.
Jesus Lara sobreviveu à guerra. Já
era poeta antes e se dedicou a divulgar a poesia dos povos indígenas de seu país.
No livro li sobre as pessoas do Altiplano andino colocadas em situação horrível
na savana paraguaia. Os brasileiros só ouvem falar dessa guerra quando a Seleção
vai jogar no campo de Assunção, o Defensores del Chaco. Graças a esse
livro, para mim essa guerra é mais que um nome de estádio.


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