A Catedral e a Serpente
“Vipereos mores non violabo” – algo como “não violarei os costumes da serpente” – e esse lema ao qual não falta idiotice se espalha pela cidade de Milão – junto com o não mais pacífico brasão de uma serpente engolindo um homem, um coitado, diríamos. Eram o Brasão e o lema dos Visconti, a família que com um olho no poder e outro na espada teve o domínio da cidade lá pelo começo da Renascença. Foram eles que começaram a construir a catedral.
Se no resto do mundo Todos os Caminhos Levam a Roma, em Milão todos os caminhos levam à Piazza del Duomo, a Praça da Catedral. Nas noites as moças da cidade vestem casacos elaboradíssimos e meiões de seda sem mais nada e gravitam para lá. Assim como o preguiçoso turista cearense pega o VLT e em uns trinta minutos está debaixo da Catedral dos Visconti.
Os tops da família pensavam em unificar
a Itália em um Reino só, com eles como os chefes, óbvio. Algo como uma inveja da
família dos Capetos na França. E para isso precisavam de uma catedral para
rivalizar com a Notre Dame. O sonho não deu em nada – também pudera, para
unificar aqueles trocentos reinozinhos pós-medievais seria necessário passar
por cima de trocentas e uma famílias ainda bem medievais que queriam o mesmo,
na espada ou na vigarice. Foi o ambiente que deu origem ao O Príncipe de Maquiavel,
por aí se vê.
Enfim nada deu em nada. Tomo mais
um ciocolatto, pago a conta e pego o VLT de volta, a praça ainda cheia das
moças e tais. Ninguém lembra dos Visconti, e para que lembraria mesmo??
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