A vã-glória da literatura nas praças de Lisboa

 

Quem vem do aeroporto para os hotéis do centro de Lisboa passa sobe um morro, no lugar chamado Areeiro, e o desce para outro denominado Arroios. No princípio dessa descida há uma praçola semicircular encravada entre prédios baixinhos. Como não faz parte do circuito turístico os visitantes só passam por ela sem nada saber. Nela há uma estátua e o nome do homenageado: o jornalista carioca João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, o João do Rio.

E quem passa dela, na direção da estação dos trens (comboios) que trafegam em direção à outra margem do Tejo depara com outra praça, essa só conhecida em geral pelos viajantes que a veem pela janela do vagão: praça Afrânio Peixoto, médico e membro da Academia Brasileira de Letras.

Esses nomes valem por uma lição de modéstia nos anseios de imortalidade literária. Esses senhores foram homenageados por Lisboa quando estavam no seu auge. A fama passou e hoje bem poucos no Brasil ou em Portugal os considerariam entre os maiores da literatura brasileira. Em vão se buscará nas ruas de Lisboa uma praça para Machado de Assis, uma rua para Clarice Lispector ou mesmo um beco para Graciliano Ramos.


Já escrevi algumas vezes sobre vários assuntos para a Câmara de Lisboa mas não o farei agora para reivindicar a mudança desses nomes. Que fiquem. Como testemunho aos homenageados e à efemeridade da própria fama. Seria bom que ao menos guias de turismo os mencionassem ao passar em frente, mas aí não é mais comigo.

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