Brasília no conflito entre a Ordem e o Caos. Oba!
“Uma esmolinha para a ceguinha... Oba!”
Começo é claro por procurar uma
imagem que daqui a pouco ninguém saberá mais o que significa: de cartão-postal.
Pode parecer incrível para as gerações futuras ou atuais mas por tempos as
pessoas compravam cartões de papel mais ou menos rígido em geral com boa impressão
e fotos de lugares conhecidos e enviavam a outros por esse serviço também em decadência
chamado correio, e de Brasília o cartão-postal mais conhecido é o da catedral.
Começo o turismo na cidade por ela.
No centro de uma superfície de
concreto sem árvores e com poucos bancos – bem Brasília, completamente Niemeyer,
perfeitamente clean, lá está ela com suas arquicélebres curvas colunas de
concreto. Tudo muito claro, muito lógico. Essa a beleza da catedral, essa a de
Brasília.
Esta é também sua fraqueza. Em Brasília qualquer vestígio de injustiça salta aos olhos, ouvidos e todos os sentidos como nódoa em lençol. Noutras cidades, produto do acaso e dos conflitos, o caos parece lógico. Em Brasília qualquer perturbação ressalta, e isso se vê, ou melhor, se ouve, na Catedral. Diante da lógica e da luz ouve-se lá de dentro a ladainha da senhora que pede esmolas no túnel de acesso: “Uma esmolinha para a ceguinha... Oba!”
A injustiça social se impõe, mostra
que ainda não foi resolvida e nem os cartões-postais de arquitetura moderna
conseguiram sanar. O que não significa que a beleza seja inútil. Talvez isso
explique o “Oba!” ao final da ladainha, lá sei.


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