E a Casa não mais Queima
O coração de La Paz se chama Plaza Murillo. E foi a esta praça que um garoto vindo da parte baixa da cidade, calça jeans e tendo recém-defendido a dissertação do mestrado chegou. De cara pôde entender por que o emprego de Presidente da simpática República era destituído de qualquer garantia. Na virada dos setenta para os oitenta os nomes de generais se sucediam uns aos outros: Juan Pereda Asbun, David Arancibia, Alberto Natusch Busch, Luiz Garcia Meza, Guido Calderón... sempre com o mesmo roteiro – alguns militares davam uma avaliação baixa para o mandatário do mês (para fazer um paralelo com o Uber), reuniam os tanques, divulgavam um pronunciamento e todos sabiam estar sob nova Administração. Menos complicado que a Democracia, sem dúvida. Se era melhor, é sujeito a discussões. Cinco minutos na Plaza Murillo me fizeram entender por que tanta insegura empregatícia. Nunca vi, nunca vi um prédio tão cheio de portas como o Palácio da Presidência da Bolívia. Era facílimo de ser invadido por uma multidão. Se algumas portas fossem guardadas outras podiam ser invadidas. Para piorar era um prédio de esquina, assim uma guarda na frente não podia ver uma invasão lateral. Para piorar mais ainda, o nome era Casa Queimada – dizem que em recordação a golpe antigo que havia incendiado o prédio.
Isso ficou no passado, como dizem
nas novelas turcas. Na Bolívia pós-Morales não há golpes, ou quase. Eu também
mudei e quanto aos incêndios creio que os extintores dão conta.
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