Em Milão com o Destruidor
Topei com o Destruidor do Mundo quando subi ao segundo andar do Palazzo na Via dei Vespri Siciliani em Milão. A propósito, Palazzo nada mais é do que o nosso prosaico Prédio. A propósito II, o Destruidor não era único mas o representante de muitos.
E ali estava ele – bermuda, sandálias
e um altura que não passava de mediana. Alguns diriam que não me enganasse –
são esses, ou os como esses, que destruirão o Mundo, a Civilização ou mais
modestamente a Europa. O rapaz me perguntou se alguém batera á minha porta durante
à noite. Eu disse que não. E ele continuou que havia um vizinho maluco que
perturbava e caiu em si do meu italiano com feijoada.
“Você é brasiliano?” – me perguntou.
Eu disse que era brasileiro sim. Ele também. Havia muito morava na Itália e isso
estava na cara, ou melhor, no sotaque, na verdade uma mistura das duas línguas
na qual a língua natal sumia docemente sob um vagalhão de italianismos.
“Você afitou esse apartamento?” –
ele me perguntou. Affitare – alugar. Não, eu não afitara nada.
Difícil explicar nessa linguagem mestiça que eu era turista, iria embora em
duas semanas. Despedimo-nos, entrou no seu apartamento..jpg)
E esse é o Destruidor do Mundo ao
menos segundo os inimigos dos migrantes, hoje tão comuns. Ele, bermuda, sandálias,
algo como um e setenta e cabeça discretamente chata. Esse é o migrante sem muitos
recursos. Não me fez mal. Duvido que o faça a alguém. E serve de bode
expiatório para problemas com os quais nada tem a ver.
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