Eu e os anglicanos

 

“Em tempos incertos as pessoas se voltam para homens fortes, que propõe respostas simples para os problemas da sociedade” – ouvi sua voz firme vinda do púlpito e nunca em minha vida tinha visto um púlpito ocupado. Mesmo em igrejas históricas não passa de ornamento.

Eu era uma pilha de preconceito: Já decidira que a Igreja Anglicana era uma velharia ambulante, decadente e sem razão de ser criada por um Rei maluco que queria se divorciar, quinhentos anos atrás. Foi com essa mentalidade que entrei na Catedral Anglicana de São Paulo, em dia miraculosamente com sol, Londres em novembro.

Parecia até uma igreja católica, ou quase: a média de idade dos sacerdotes era bem mais baixa que na maioria das missas católicas, povoadas por padres de cabelos cor de neve. Mas não só isso: ao lado do celebrante, um rapaz de menos de 40, havia uma celebrante – também jovem. Além de uma diaconisa, uma mulher negra. O sacerdote abriu agradecendo ao bispo de certa cidade, que ali estava de visita e faria a homilia. Pelo menos foi o que entendi.

As primeiras palavras do sermão me revelaram que eu não entendera tudo certo: não era um bispo, mas uma episcopisa. Falou bem, homilia preparada, e eu saí com a ideia de uma igreja viva, com aspectos muito interessantes, especialmente sobre juventude e sacerdócio feminino.


Claro, Trump não deve ter gostado, pois o trecho que citei foi claramente uma alusão a ele. Mas duvido muito que alguém como ele dê importância a críticas.

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