Filosofia do Bife à Milanesa

 

“Vorrei una Cotoletta alla milanese, per favore” - e o garçom se escarafunchou para a cozinha entre as mesas com mesas quadriculadas, muito turísticas apesar de não estarmos em lugar de turismo. A Viale Tolstoi evidentemente homenageia um escritor russo e o próprio bairro de Lorenteggio não é exatamente o queridinho da turma das selfies.

Toda a minha vida sabia dos bifes à milanesa – saber é uma coisa, gostar deles é outra e nunca me atrairiam muito aquelas grossas camadas de farrinha frita engelhada a pingar óleo que recobriam a carne na distante Fortaleza e no resto do Brasil inteiro. Só depois soube que aquilo era típico da cidade de Milão, e mesmo outras cidades na Itália respeitam tal primado.

As cidades da Itália – pois fora dela há controvérsias – aliás fala-se em mundo globalizado mas se disputa ferozmente certos primados de comida. Viena diz que inventou o Schnitzel e que ele tem o primado – para mim é um bife à  milanesa, mas vá. A pastelaria Belém em Lisboa afirma ter o segredo mundial do pastel de Belém. De fato em Portugal não há os tais, protegido esse nome por patente, mas se pode comê-lo em padarias portuguesas, árabes e até brasileiras em Fortaleza, e que vão às favas as patentes.


O garçom me trouxe a Cotoletta  e ,e pareceu especial, Talvez não tanto por ser á milanesa mas por eu estar em Milão, e turistas sempre são felizes. Não era engelhado nem pingava óleo, vá, o que não deixa de ser uma vantagem.

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