O chefe manda

 

O Catetinho nada tem de palácio. Seu nome é em verdade uma doce ironia em relação ao Catete, este sim um palácio, da Presidência da República na época. A época: a segunda metade da década de 1950, quando um Presidente chamado Juscelino Kubitschek de Oliveira decidiu desempoeirar velhos propósitos de mudança da capital para o interior e construir uma cidade a partir do zero no sertão de Goiás.

Enquanto se construía o Presidente precisava de um lugar para ficar – na verdade uma construção da madeira, comprida e de dois andares, a que se deu o apelido de Catetinho. JK teria voado para lá centenas de vezes.

Eu não fui tanto mas peguei o ônibus e desembarquei por lá. Hoje é museu. Pode-se perceber os sacrifícios dos que construíram a capital. Ou sua quase loucura, vá. As árvores tortuosas, o solo avermelhado e os cupinzeiros quase da minha altura não deem ter melhorado o astral dos que tinham deixado as praias longe para trabalhar naquela construção.

O Diretor do museu me guiava. Mostrou no segundo andar o quarto em que JK ficava, na ponta do corredor. Entrei em modo Mexerico e perguntei se era verdade que ele trazia amantes para lá.


Ele me respondeu que no quarto do lado vivia um engenheiro responsável pela obra, com sua esposa e seus filhos. Seria impossível o Presidente ter um caso com tantos olhos a vê-lo.

E eu pensei que, se o Presidente tivesse um caso por lá, o engenheiro e sua família iriam ver tudo – e ficar quietinhos, isso sim. O chefe manda.

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