Os afrancesados cafés de Fortaleza
Charles Baudelaire, Victor Hugo e Catherine Deneuve diriam [se tivessem conhecimento de causa]: se quer um café autenticamente afrancesado vá ao polo de Restaurantes da Varjota em Fortaleza e mesmo para algum centro de comércio local da Asa Norte de Brasília [fora os inevitáveis Rio e São Paulo].
De fato os cafés de Fortaleza
derramam palavras francesas no menu [nada de cardápio] e multiplicam croissants
e crepes e chocolate au lait. Os garçons mastigam Bonsoir e S´il vous plaît e
Edith Piaf e Charles Aznavour comeriam soltos na vitrola se vitrola houvesse –
as seleções de músicas de java e acordeon musette provavelmente constam em
lista preparada pelo algoritmo de algum streaming – nada muito romântica uma
seleção feita por um computador, mas enfim. E a Torre Eiffel, panorâmicas de
Boulevards e o ubíquo Arco de Triunfo em fotos e gravuras cobrem as paredes.
Enfim os cafés de Fortaleza são muito mais franceses que aqueles de Paris, com suas atendentes muitas vezes nascidas noutros países e perguntar se quero o cappuccino grande ou pequeno, a colocar a fatia de bolo que pedi na pequena bandeja e se voltar ao próximo cliente. De lá é só se sentar na esplanada na calçada do Boulevard Saint Michel e espiar o movimento.
Os cafés de Paris não precisam
parece franceses, pois já o são. Os daqui se esforçam em sê-lo porque não o
são. Deve ter alguma profunda lição de moral a se tirar disso, mas não sei
qual. E nem Baudelaire e os outros ídolos franceses o sabem.
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