Os Selos e os Dias

 

“Dieci francoboli, per favore. In Brasile.” – e após uns três dias de Milão meu italiano já havia melhorado mas não o suficiente para saber como se dizia “selos”. O tradutor do celular me informou que os coloridos retangulozinhos de papel colável em cartas se diziam francoboli, e essa palavra me mastigou como pedrinha no meio do feijão quando a pronunciei pela primeira vez para a funcionária da Poste Italiane, os correios do País da Bota, numa agência escondidinha em Brera, o bairro do design de moda, a uns três quarteirões da famosa Pinacoteca. Ela sorriu, não sei por simpatia ou pelo meu italiano com leves toques de Ceará e respingos de Rio. Comprei os dez selos, enviei os postais.

Talvez seja uma das últimas vezes que o faça, ou que alguém o faça. No próprio portal oficial está escrito ”Poste Italiane - Servizi postali, finanziari e assicurativi”. Financeiros? Seguros? Pensaria eu com meus botões se a camiseta os tivesse. O que Correios têm a ver com isso? E antes fosse só no país de Rita Pavone e da pizza. No Brasil também é assim. E no mundo.


E me parece que de todos os saudosos do velho serviço postal focado em cartas os menos interessados são os correios do mundo. Alguns dos postais enviei para mim. Voltei, desfiz malas, fui a academia de ginasticas e restaurantes e quando já me esquecera eis que o Porteiro mos entrega. 54 dias depois, da Itália ao Brasil.

A viagem de Cabral durou 44 dias.

Bem, eu devia ter colocado um aviso “Por Caravela”. Entregariam mais rápido.

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