Venha cantar na minha Freguesia!
“Vá cantar noutra Freguesia” – diz-se no Brasil e ninguém entende direito o que é Freguesia.
É das primeiras palavras vivenciadas
no país de Amália. Especialmente para aquele que gosta de cultura. No Brasil há
quem não saiba direito o nome de seu bairro e menos ainda sabem o Distrito em
que habitam – aliás talvez a maioria não saiba que seu município se divide em
distritos. Pudera, aqui os distritos não passam em geral de subdivisões das
cidades lideradas por funcionários sem muitos poderes.
Não é o caso luso. Não há
distritos mas Freguesias. E cada uma tem sua liderança, as Juntas de Freguesia,
que são eleitas. Têm poderes e orçamento. Muitos sabem os nomes do/a presidente
da Junta. Quanto à cultura, no Brasil sua promoção é em geral centralizada. Muito
é feito pelo Ministério da Cultura e pelas Secretarias estaduais, ou então por
entidades paraestatais como o Serviço Social do Comércio – SESC. Poucos municípios
têm secretarias de cultura significativas, quase sempre as capitais de estado.
Em Portugal muito da cultura, talvez sua maior parte, é promovida pelas Junta de Freguesia. Pode-se ver nas redes sociais de cada uma: “Sábado, a Junta do Areeiro promove exposição de carros antigos”; ou “Desafio de subir e descer escadas na Junta de Santa Maior”; ou “Junta dos Arroios promove baile das castanhas!”
É cultura mais local. Como muitos
desses eventos se referem a música, a mudança do ditado, para “Venha cantar na
minha Freguesia!” tal vez se revelasse mais adequado.
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